Eu tenho um nome que não me chama, nunca me chamou. Eu nunca me senti sendo chamada por esse nome, sendo identificada com ele, sendo ele, ele me sendo, ele reverberando em mim.
Tantas vezes eu me perguntei: Por quê?
O meu nome não se parece comigo, não me cola em mim, não me ressona. O meu nome não me nomeia.
Meu nome não é onde eu possa mergulhar.
É permitido que eu escolha um nome pra mim? É permitido que eu me dê um nome, um nome conforme eu me veja e reveja? Um nome que me faça, que me constitua, que me dê inteireza?
Há um nome identidade-de-mim, memória-de-mim, cópia-autenticada-de-mim, assinatura-de-mim?
(Fogos de artifício)
Esses fogos são uma ode ao nome que eu possa me sonhar, ao nome com o qual eu possa me batizar.
Um nome nomeia, portanto, diz o que a coisa é, o que significa e o que pode ser. Não é?
E o que pode ser?
Por que não bicho? Por que não árvore? Por que não pé? Gaiola? Chave? Livro? Nuvem? Janela? Peito? Labirinto? Água? Pedra? Brinquedo? Asa? Coisa? Silêncio? Por quê? Um nome serve pra quê?
Eu sempre estranho o nome com que me chamam. Às vezes eu faço com que a pessoa repita o meu nome duas, três vezes, para que eu realmente possa entender que ela se refere a mim, eu, com esse nome, com aquele nome.
O meu nome é meu?
Por que ter um nome?
Por que ter um nome?
Meu nome me diz a mim quem eu sou? Meu nome me percebe, me compreende, me localiza, me preenche, me expressa, me corporifica, me dá alma? Meu nome reconhece o meu passado e o meu eu que está sendo agora nesse instante que passa e que vai passando?
Pra que um nome? Por que um nome?
Em que nome eu estaria? Que nome eu seria?
Lindo!
ResponderExcluir"Meu nome é tumulto e escreve-se na pedra" (Carlos Drummond de Andrade)
ResponderExcluirO ser humano nomeia para identificar. Somos seres da linguagem, esta entidade que nos insere na racionalidade. E como tais participamos dela, mesmo sem ela.
"O inconsciente é estruturado como uma linguagem" (Jacques Lacan)
Para uns é um ensinamento:
"A linguagem é uma fonte de mal entendidos" (Antoine de Saint-Exupery)
Deveríamos ter cuidado ao nos expressarmos em palavras, pois “a linguagem é uma fonte de mal entendidos”, ensinou o principezinho de Saint-Exupery.
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